Confira neste artigo tudo que você precisa saber sobre a doença dos legionários, incluindo diagnóstico, tratamento e mais.
Você deve está se perguntando que doença é essa com esse nome engraçado (pelo menos eu achei quando vi de primeira).
A Doença dos Legionários, também conhecida como Legionelose é uma infecção potencialmente grave causando uma pneumonia atípica pela bactéria Legionella pnheumophila.
Neste texto irei abordar a origem da Legionelose, suas manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento. Vem comigo!
Fatos Históricos sobre a Legionelose
A Doença dos Legionários passou a ser conhecida em 1976 após um surto de infecção por Legionella pneumophila durante a 58ª convenção anual da Legião Americana que ocorreu em um hotel na Filadélfia. Por essa razão, foi nomeada de “Doença dos Legionários”.
Uma semana após o evento 182 dos participantes adoeceram e 146 foram hospitalizados em 87 instituições em todo o país. A maioria apresentou evidência radiográfica de pneumonia atípica e 29 vieram a óbito. Ainda não se sabia a causa desta pneumonia, somente em 1977 o patógeno foi isolado e em 1979 ele foi identificado e denominado de Legionella pneumophila. A Doença dos Legionários também apresentava manifestações sistêmicas, porém, a clínica da pneumonia atípica adquirida na comunidade era um dos sintomas mais dominantes.
Epidemiologia
A incidência da Legionelose é de cerca de 1,4 a 1,8 casos a cada 100 mil pessoas por ano nos Estados Unidos e na Europa. Em 1 a 10% dos casos, a Legionella pneumophilla causa pneumonia bacteriana.
É importante ter em mente os fatores de risco para esta doença, que são: idade avançada (> 50 anos de idade), imunodepressão, tabagismo prévio ou atual, doenças cardiovasculares e doença renal crônica.
Transmissão
A Legionelose não é uma doença contagiosa, portanto não existe transmissão pessoa-pessoa. Sua transmissão se dá através da inalação de gotículas de água contaminadas presente no ar. A Legionella pneumophilla se prolifera em reservatórios de água, principalmente os artificiais – como, encanamentos, umidificadores, ar-condicionado entre outros. A bactéria se multiplica em locais com temperaturas amenas de 25oC a 42oC.
Fontes ambientais de contágio incluem reservatórios de água, chuveiros, piscinas, ar-condicionado. A bactéria também pode ter o solo como reservatório, portanto atividades na terra como jardinagem, podem levar à contaminação.
Em suma, qualquer ambiente onde ocorra vaporização ou emissão de partículas de água, pode ser uma fonte de contágio, caso o reservatório esteja contaminado pela bactéria.
Manifestações Clínicas
A pneumonia atípica é a manifestação clínica mais comum da Legionelose. Os sintomas surgem após um período de incubação de dois a dez dias. Nos primeiros dias, o quadro costuma a ser brando, o paciente pode apresentar tosse seca, mialgia, cefaleia, dor torácica e diarreia. A tosse é improdutiva em metade dos pacientes, outros podem apresentar escassa produção de escarro mucoide e são raros os casos de expectoração purulenta e sanguinolenta.
A doença evolui com febre alta, geralmente acima de 39oC, dor torácica, dispneia e prostração. Além disso, sintomas gastrointestinais, como a diarreia, já citada podem estar presentes acompanhada de vômitos e dor abdominal. Estes pacientes podem apresentar confusão mental, devido à hiponatremia que a infecção pela Legionella pneumophila causa.
Diagnóstico
Para realizar o diagnóstico de Legionelose, é importante ter um alto índice de suspeita clínica, sobretudo em epidemias. Os resultados de exames laboratoriais de rotina, tendem a ser inespecífico. O paciente pode apresentar leucocitose ou leucopenia, trombocitopenia e até coagulação instravascular disseminada (CIVD).
Além disso, muitas anormalidades laboratoriais podem surgir nos exames como: hiponatremia, hipofosfatemia, anormalidades brandas nos testes de função hepática (TGO e TGP), elevação da creatinoquinase, hematúria microscópica e leve proteinúria. Como exceção nas provas de função hepática, temos a fosfatase alcalina que pode estar em alguns casos altamente elevada.
Assim, algumas combinações de achados podem ser sugestivas da doença: febre alta, ausência da produção de escarro, altos níveis de lactato, aumento do nível de CRP e plaquetopenia. Segundo as diretrizes de Pneumonia, recomendam testar a presença da Legionelose nos seguintes casos: pneumonia moderada ou grave com necessidade de internação hospitalar, pacientes com exposição conhecida à Legionella e em pacientes imunodeprimidos.
Os exames específicos para a Legionella pneumophila, são a identificação do antígeno da bactéria na urina e cultura das secreções respiratórias.
Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico diferencial da Legionelose com outros agentes etiológicos causadores de pneumonia, é complexo, pois as manifestações clínicas e radiológicas são muito semelhantes.
Entretanto, foram encontrados em estudos uma série de fatores que quando descritos, aumentam a probabilidade da Doença dos Legionários em pacientes com pneumomia.
Estes são:
- Hiponatremia
- Aumento de transaminases
- Sintomas gastrointestinais
- Proteína C-reativa > 100mg/dL
- Falha na antibioticoterapia com agentes beta-lactâmicos
Tratamento
O tratamento da Doença dos Legionários é realizado através de antibioticoterapia. Os principais antibióticos são a Levofloxacina e Azitromicina. O tratamento com Levofloxacina 500mg por dia durante 7 a 14 dias foi efetivo em estudos. O consenso da duração do tratamento é de 7 a 10 dias, com azitromicina ou uma quinolona. Entretanto, se o paciente apresentar alguma complicação, como abscesso pulmonar, empiema ou endocardite, a duração do tratamento deve durar 21 dias, e sendo observado no hospital.
Conclusão
Como escrito durante o texto é de fundamental importância conhecer não somente as patologias mais comuns na comunidade, mas também àquelas exceções que um dia pode chegar na sua mão quando estiver de plantão. Agora você já tem conhecimento sobre a Doença dos Legionários e pode a incluir como diagnóstico diferencial caso atenda um paciente com suspeita de pneumonia atípica adquirida na comunidade.
Autora: Maria Isabel Araújo Lima Duque Estrada
Instagram: @mide.med
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
Medicina Net: https://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/7712/legionelose.htm
Deutsche Welle: https://www.dw.com/pt-br/1976-eclode-doen%C3%A7a-dos-legion%C3%A1rios/a-320233
MD.SAÚDE: https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/legionelose/