A multiplicação desordenada de células da mama é um dos grandes problemas atuais do Brasil. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. Existem inúmeros tipos de câncer de mama, desta forma, essa doença pode ter várias apresentações. Algumas vezes, tem evolução rápida; outras vezes,evolui mais lentamente. Esses comportamentos diferentes se devem as peculiaridades de cada tumor.
Grandes avanços na terapêutica do câncer (CA) de
mama surgiram nos últimos anos, incluindo cirurgias menos invasivas e
deformantes, bem como a procura pela individualização do tratamento. Os
tratamentos têm variabilidade de acordo com o estado da doença, as
peculiaridades biológicas de cada um, assim como das
condições de saúde do paciente.
Logo
após a Food and Drug Administration (FDA) ter concedido, em março, a aprovação ao atezolizumab em associação com
nab-paclitaxel para indivíduos em tratamento para o CA de mama nos Estados
Unidos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, em Maio de 2019, a liberação dessa combinação terapêutica que combate
e ajuda no tratamento de um dos subtipos mais graves dos cânceres de mama (tipo
triplo negativo).
Esse
medicamento é uma espécie de imunoterapia mais eficaz e menos agressiva,
utilizada com sucesso no tratamento dessa doença. Neste tratamento contra o CA
de mama, a imunoterapia é feita através da aplicação de injeções a cada duas
semanas.
A
utilização de anticorpos monoclonais para ativar o sistema imunológico é
denominada imunoterapia. Essa técnica ativa as células defensoras do próprio
organismo contra doenças. Desse modo, as drogas não atacam as células do tumor,
não visam atingir diretamente as células cancerígenas, mas tem como foco ativar
as células de defesa do organismo, a fim de que elas detectem e combatam a
doença através da imunidade própria do organismo.
A eficiência desta medicação contra
a doença foi noticiada no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO
Congress 2018). O chamado Impassion 130 foi o primeiro estudo de fase 3 a registrar
o benefício significativo de imunoterapia em casos de câncer de mama
metastático.
O CA de mama do tipo triplo negativo é considerado um dos
tipos mais agressivos, representando cerca de 20% dos acometimentos por essa
doença no mundo. No Brasil existe uma estimativa feita pelo Instituto Nacional
do Câncer (INCA) em que ocorrerá 60 mil casos novos de mama neste ano. Isso
represente um total de 12 mil mulheres acometidas por essa doença.
Triplo-negativo” é quando um
tipo de tumor não apresenta um dos três biomarcadores mais usados na
classificação do câncer de mama. Eles são: O receptor de estrógeno, receptor de
progesterona e proteína HER-2.
Dos CA’s tipo triplo-negativo,
40% se beneficiam com esse novo tratamento. Essa porcentagem é definida por
aquelas que apresentam a expressão da proteína PD-L1. O PD-L1 é uma espécie de
receptor que é localizado na superfície das células, e isso indica a
possibilidade de sucesso com o tratamento de imunoterapia.
Essa proteína é identificada
por meio de um exame chamado imuno-histoquímica. Dessa forma, ela está associada
a um conceito que é uma das estratégias mais importantes de avanço da oncologia
que é identificar grupos de pacientes que tenham mais chance de responder aos
tratamentos.
Outras inúmeras pesquisas
estão sendo conduzidas para verificar se a imunoterapia contribui de alguma
forma no combate aos outros subtipos do câncer de mama. Mesmo que essa terapia
seja uma ótima notícia, porque na doença triplo negativa não haviam boas
notícias há muitos anos, vale salientar que esse tratamento beneficia só uma
pequena porcentagem de mulheres.
A
aprovação da utilização dessa terapia foi baseada no estudo IMpassion 130, que
foi apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO), em outubro de 2018, e publicado na revista científica The New England Journal of Medicine em novembro do mesmo ano.
Os resultados desse estudo mostraram que, observando a população
como um todo, existia um controle mais fino e permanente da doença no grupo
tratado com atezolizumabe, embora a diferença na duração do controle tenha sido
modesta. Já na análise das pacientes com PD-L1 positivo, o benefício em termos
de controle da doença foi maior, com uma redução do risco de progressão de 38%
(o que significou um ganho de 2,5 meses no controle da doença) em favor da
utilização do atezolizumabe.
O melhor e mais satisfatório resultado
foi o achado da redução de 38% no risco de morte (representando um ganho de 10
meses em termos de sobrevida) no grupo que recebeu atezolizumabe. A toxicidade
do tratamento foi leve em ambos nos grupos de tratamento com imunoterapia.
Autor: Diego Andrade