Anúncio

Caso Clínico sobre apendicite

Imagem de uma paciente sendo consultada por um médico

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Identificação do paciente

M.E.S.S, sexo feminino, 7 anos.

Queixa principal

Dor abdominal e vômito há 5 dias.

História da doença Atual (HDA)

A paciente iniciou 5 dias antes do internamento (no dia 12/10/2016) com adinamia, náuseas, anorexia e dores abdominais localizadas em fossa ilíaca direita, além de febre baixa que foi aumentando progressivamente, até atingir 39 ºC.

A febre diminuía com paracetamol, mas poucas horas depois voltava novamente.  Iniciou também episódios de vômitos intensos pós prandiais e como a dor abdominal também aumentava progressivamente e depois irradiou para todo o abdome, a mãe levou a paciente à UBS do bairro no segundo dia dos sintomas, mas voltou para casa com o diagnóstico de virose.

Na UBS, foi aplicado plasil endovenoso e nenhum medicamento foi receitado. No quarto dia dos sintomas, no dia 16/10/2016, sem melhora do quadro, a mãe levou a paciente à UPA de ITINGA. Nesse momento o abdome estava bastante edemaciado e rígido e as dores abdominais mais intensas, que pioravam em ortostase e no pós prandial.

Foi prescrito óleo mineral e Infectrin suspensão oral, sem melhora do quadro. Pelo contrário, a paciente agora cursava com diarreia aquosa (15 episódios por dia, grande volume, sem restos alimentares, sem muco e sem sangue) e a febre já não diminuía com uso de antitérmicos, além das dores abdominais não diminuirem mais em nenhuma posição.

Na segunda-feira 17/10/2016, a mãe trouxe a paciente para a emergência de um hospital de referência de Salvador onde fez ultrassonografia abdominal (Figura 1) que diagnosticou apendicite, já envolvendo rim direito e peritônio, além de hemograma e exame de urina.  

Realizou apendicectomia “aberta” no dia seguinte ao internamento, mas continua internada pois houve infecção na ferida cirúrgica. Em uso de antibiótico. Cursa sem queixas álgicas e com bom estado geral.

Interrogatório sistemático

Geral = Mãe refere ganho de peso. Refere adinamia e sudorese antes do internamento (vide HMA). Nega calafrios.

Pele e fâneros = Refere palidez. Nega prurido, lesões elementares em pele e alterações em cabelo, pelo e unhas.

Boca e anexos = Nega halitose, pigarro, sialorreia, xerostomia, disfonia, gengivorragia, disfagia e odinofagia. Refere rouquidão e inflamação na garganta antes do quadro sintomático da apendicite.

Aparelho respiratório = Nega dor torácica e chiados. Refere tosse seca.

Aparelho gastrointestinal = vide HMA. Hoje sem queixas.

Aparelho urinário = nega incontinência urinária, urgência miccional, hematúria,  polaciúria e enurese noturna.

Aparelho genital = Refere dor devido à irradiação da dor abdominal. Nega corrimento ou lesões.

Aparelho osteomuscular = Nega câimbras, mialgia, artralgia. Refere edema em ambos os pés quando estava com o abdome rígido.

Sistema nervoso = Refere tontura e lipotímia ou levantar após apendicectomia. Nega convulsões, agitação, parestesia, hiperestesia e paralisia. Nega confusão mental .

Demais sistemas sem alterações.

Antecedentes pessoais, familiares e sociais

Antecedentes fisiológicos

Nascida de parto cesáreo, a termo, com 3,415 kg. Mãe realizou pré-natal, mas cursou com hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia. Crescimento e desenvolvimento normais. Cartão vacinal atualizado.

Antecedentes patológicos

Varicela e zika. Nega alergia medicamentosa e alimentar. Nunca recebeu bolsa de sangue e nunca havia sido internada anteriormente. Não usa medicamentos.

Antecedentes familiares

Mãe não é hipertensa, mas durante gravidez desenvolveu hipertensão.

Hábitos de vida

Dieta rica em carboidrato. Boa ingestão de verduras e legumes. Boa ingestão de proteínas e leguminosas.

Nega tabagismo, etilismo e entorpecentes.

Mora com os pais, filha única, casa de alvenaria com um quarto, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, possui saneamento básico, água encanada, rede de esgoto, energia elétrica e fogão a gás. Nega possuir animal de estimação.

História psicossocial

A criança possui um bom convívio com a família e na escola. O pai é bastante afetuoso e cuida bem da filha quando está em casa. Como a mãe está desempregada, o pai possui dois empregos de segurança para dar conta das despesas. A renda familiar tem sido satisfatória.

Marcela conta que a filha é obediente, mas também é teimosa e geniosa. Mas que a relação das duas é boa. Só que a filha é mais apegada ao pai. Pela manhã Maria Eduarda faz banca e à tarde vai para a escola particular.

Não considera que a filha é sozinha, pois os primos moram perto e ela brinca com eles. Gosta de brincar de boneca e de dançar. A avó tem um mercadinho e Maria gosta de ficar lá para brincar e acompanhar a avó.

Exame físico

Geral: bom estado geral e nutricional, alerta, atitude ativa, fáscies atípica, brevilínea, conjuntiva com mucosas normocrômicas e escleras anictéricas, fala normal. TA 110/85 mmHg, FR 18 ipm, PR 91 bpm, arrítmico e cheio e Temperatura 36,2°C.

Dados antropométricos: Peso 38 Kg e altura 1,32 m. IMC=23,9 Kg/m², circunferência abdominal 80 cm.

Pele e fâneros: Mancha hipercrômica em perna direita. Cicatrizes em ambos os joelhos. Equimose em braços direito e esquerdo devido à acesso venoso periférico. Presença de ferida cirúrgica em fossa ilíaca direita.

Abdome: abdome globoso, às custas de panículo adiposo; simétrico; cicatriz umbilical intrusa; ausência de equimoses, ondas peristálticas e circulação colateral. Presença de cicatriz devido à cirurgia de apendicectomia. Ruídos hidroaéreos preservados. Alças intestinais timpânicas ; hepatimetria não realizada pois paciente em pós-operatório de apendicectomia; espaço de Traube livre. Ausência de visceromegalias e massas. Presença de hipersensibilidade à palpação em área de incisão cirúrgica. Fígado e baço não palpáveis.

Demais sistemas sem alterações.

Exames complementares

Imagem de Ultrassonografia abdominal

Figura  1: Ultrassonografia abdominal. Imagem em alvo na fossa ilíaca direita. Apendicite aguda.

Hemograma: HT 36%; Leucócitos: 26.600; Bastões 16%; Segmentados 67%.

EAS:  hemoglobina 2+; Leucócitos:15/campo; Hemácias numerosas; Proteína 1+.

Manifestações clínicas da apendicite aguda

  1. Dor abdominal generalizada ou localizada.
  2. Anorexia, mal-estar moderado, ligeira febre, náuseas e vômitos.
  3. Normalmente ocorre constipação. Em alguns casos, ocorre diarreia.
  4. Sensibilidade de rebote, atitude antálgica involuntária, rigidez abdominal generalizada.

Avaliação clínica

  1. Dor abdominal generalizada ou localizada ocorre na porção superior direita do abdome, nas regiões epigástrica ou periumbilical
  2. Dentro de 2 a 12 horas, a dor se localiza no quadrante inferior direito e a intensidade aumenta.
  3. Anorexia, febre, náuseas, vômitos e constipação podem também ocorrer.
  4. Ruídos hidroaéreos podem estar diminuídos.
  5. Sensibilidade em qualquer lugar no quadrante inferior direito do abdome.
    • Muitas vezes a dor se localizada no ponto de McBurney (ponto apendicular). É traçada uma linha que liga a cicatriz umbilical com a espinha ilíaca ântero-superior direita. Divide-se esta linha em 3 partes, sendo o ponto referido o local que corresponde ao encontro do terço médio com o terço distal da linha.
    • Comportamento de proteção e sensibilidade de rebote no quadrante inferior direito do abdome (sinal de Blumberg), além de sensibilidade de rebote no quadrante inferior direito do abdome à palpação do quadrante inferior esquerdo (sinal de Rovsing).
  1. Sinal do psoas positivo.
    • Pedir para o paciente levantar a coxa direita contra a pressão da mão do operador colocada sobre o joelho direito.
    • Dor abdominal aumentada indica inflamação do músculo psoas em apendicite aguda.
  1. Sinal do obturador positivo.
    • Flexionar o quadril e o joelho direitos do paciente e girar a perna internamente.
    • Dor hipogástrica indica inflamação do músculo obturador.

Avaliação diagnóstica

  1. Exame físico consistente com as manifestações clínicas.
  2. Contagem de leucócitos mostra leucocitose moderada (10.000 a 16.000 / mm) com desvio à esquerda (aumento de neutrófilos imaturos) no diferencial de leucócitos.
  3. Urinálise exclui disfunções ou infecções urinárias.
  4. Radiografia abdominal pode visualizar sombra consistente com fecaloma no apêndice. Em quadros de perfuração, visualiza-se ar.
  5. Ultrassonografia abdominal ou tomografia podem visualizar o apêndice e excluir outras condições, como diverticulite ou Doença de Crohn. Ultrassonografia pélvica exclui cisto no ovário ou gravidez ectópica.

Medicamentos

Analgésicos

Hidratação (soluções intravenosas)

Tratamento

O tratamento da apendicite aguda é cirúrgico e deve ser efetuado tão logo o diagnóstico estiver estabelecido. A antibioticoterapia é direcionada à flora bacteriana intestinal com abrangência para germes aeróbios e anaeróbios.

As associações de ciprofloxacina com metronidazol, ou ainda de aminoglicosídeo com metronidazol ou clindamicina e ampicilina, ou até da amoxicilina-clavulanato, costumam ser a primeira opção . Nos casos não complicados, não há evidência de benefício em manter a administração dos antibióticos por mais de 24 horas.

Já nos casos de perfuração, necrose ou de abscessos localizados, o tratamento deve ser prolongado até, pelo menos, o paciente permanecer sem febre e com leucograma normal durante 24 horas seguidas. Muitos completam o esquema de tratamento até completar sete ou dez dias, dependendo da gravidade do caso.

Com o recurso da videolaparoscopia, pode-se hoje intervir com invasão mínima, mas se esse método não estiver disponível, é melhor operar a céu aberto em casos incertos, do que correr o risco de deixar evoluindo um quadro de apendicite aguda.

 

Posts relacionados ao caso clínico Apendicite

Compartilhe este artigo:

Cursos gratuitos para estudantes de medicina

Anúncio