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Caso clínico: Eczema atópico

caso clínico

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Leia também nosso resumo sobre Eczema atópico!

Apresentação do caso clínico de eczema atópico

Uma menina com 5 anos de idade, conhecida paciente sua, comparece ao consultório acompanhada pela sua mãe. Ela está incomodada com uma piora do prurido cutâneo nas últimas 6 semanas. Perdeu mais de 10 dias de aula no último mês. Sua mãe refere que a paciente acorda frequentemente à noite e fica letárgica e mal-humorada durante o dia. Sua roupa de cama fica coberta de manchas de sangue pela manhã.

A menina sabidamente alérgica a ovo, peixe e amendoim, e começou a desenvolver sintomas de rinoconjuntivite alérgica sazonal nos últimos 2 meses. Ela tem história familiar positiva de atopia, ambos os pais são alérgicos a animais e seu irmão mais velho tem asma. Seu irmão mais novo foi recentemente mandado para a enfermaria do colégio por conta de um impetigo.

Seu tratamento inclui emoliente tanto no banho quanto no pós banho e várias potências de corticoide tópicos variando desde os de baixíssima até os de moderada potência, de pendendo do local e da gravidade do eczema. Quando questionada, entretanto a mãe refere que a pele da sua filha está tão dolorida, que ela de recusa a tomar banho ou a aplicar seu tratamento tópico.

Exame físico

Um exame completo revelou uma criança indócil, ela é incapaz de parar de coçar a pele, uma vez despida. É magra, com altura no percentil 25 e o peso no percentil 4 da curva para a sua idade. Possui linfadenopatia levemente dolorosa disseminada (cervical, axilar e inguinal). Sua pele está levemente eritodérmica e muitíssimo escoriada, principalmente nos membros, pescoço e região inferior do dorso. As escoriações são cobertas por crostas hemorrágicas e por exsudato amarelado.

Investigação

  • Hemoglobina 11,2 g/dL
  • VCM 87fL
  • Leucócitos 13,7*10³/L
  • Plaquetas 498*10³/L
  • Sódio 135 mmol/L
  • Potássio 4,2 mmol/L
  • Ureia 5,7mmol/L
  • Creatinina 68 mmol/L
  • Albumina 38 g/L
  • Bilirrubina 12 mmol/L
  • TGP 26 iu/L
  • Fosfatase alcalina 238 iu/L
  • Ferritina 22ng/mL
  • Vitamina D 38 ng/mL

Questões para orientar a discussão

  1. Qual o diagnóstico primário eczema atópico?
  2. Que complicações estão exacerbando o prurido?
  3. Como você trataria esse paciente?

Respostas

Qual o diagnóstico primário eczema atópico?

O diagnóstico primário é eczema atópico associado a uma história familiar positiva de atopia, assim como manifestações de hipersensibilidade (tipo imediato) mediada por IgE (alergia alimentar e rinoconjuntivite alérgica).

Claramente trata-se de exacerbação moderada a grave de seu eczema. A severidade do eczema pode ser pontuada por vários sistemas de pontuação subjetivos (p. ex CDLQI, do inglês children’s dermatology life quality index – índice de qualidade de vida dermatológico da criança) e objetivos.

Grosseiramente, entretanto, o impacto no sono e frequência escolar, bem como a gravidade do eczema demonstrada no exame físico denotam eczema grave com distúrbio funcional significativo.

Que complicações estão exacerbando o prurido?

Pode haver vários fatores contribuindo para a exacerbação atual. É provável que haja um elemento de infecção secundária por Staphylococcus aureus ou impetiginização do eczema da criança. A extensas escoriações com crostas amareladas, a linfadenopatia dolorosa e o fato do seu irmão estar com impetigo sugerem colonização da paciente e potencialmente dos outros membros da família.

Dificuldade em aderir ao regime de banhos possivelmente contribui para tal fato. Outros fatores potenciais que pioram o prurido incluem a deficiência de ferro.

Ela também possui deficiência de vitamina D, presumidamente devida a sua restrição dietética (ovo e peixes são duas das principais fontes dietéticas de vitamina D).

Como você trataria esse paciente?

É importante controlar o eczema dessa criança rapidamente. Swabs devem ser feitos e encaminhados para cultura microbiológica e o teste de sensibilidade para o paciente e seus familiares imediatos.

Como aparentemente pelo menos dois membros da família estão infectados por Staphylococcus aureus, deve-se considerar protocolo de descolonização para a família inteira (p. ex com banhos antissépticos e pomada nasal À base de antibiótico).

A paciente deve beneficiar-se de um curso de 5 – 10 dias de antibiótico com boa cobertura contra Staphylococcus aureus (primeira linha: flucloxacilina; segunda linha: eritromicina ou amoxicilina + clavulanato).

O uso extensivo de um corticoide tópico de moderada potência por 2 – 4 semanas pode ser necessário antes de se retroceder para preparações mais fracas ou inibidores de calcineurina como terapia de manutenção.

Perguntas frequentes sobre pênfigo vulgar

  1. O eczema atópico tem relação com atopia?

Eczema atópico é, por definição, associado a uma história pessoal e/ou familiar de atopia.

2. Qual a principal causa de exacerbação?

Staphylococcus aureus pode causar grave exacerbação do eczema.

3. Como manejar o paciente exacerbado?

O manejo de tal exacerbação inclui erradicação do Staphylococcus aureus bem como o tratamento apropriado do eczema.

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