CID A68: Febres recorrentes [Borrelioses]
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Definição
As febres recorrentes são um grupo de doenças infecciosas agudas caracterizadas por episódios febris recorrentes, separados por períodos de apirexia. Essas condições são causadas principalmente por espiroquetas do gênero Borrelia, transmitidas por vetores artrópodes, como piolhos (Borrelia recurrentis) ou carrapatos (Borrelia spp.). A patogênese envolve a multiplicação do patógeno na corrente sanguínea, desencadeando respostas inflamatórias sistêmicas, com liberação de citocinas e ativação do sistema imunológico, resultando em febre alta, calafrios, cefaleia e mialgias. Epidemiologicamente, a febre recorrente transmitida por piolhos está associada a condições de superlotação e pobreza, enquanto a transmitida por carrapatos ocorre em áreas endêmicas específicas. O impacto clínico inclui alta morbidade e potencial letalidade se não tratada, com complicações como hepatite, miocardite e hemorragias.
Descrição clínica
A febre recorrente apresenta um curso clínico bifásico ou polifásico, com episódios febris agudos de início súbito, durando 3 a 6 dias, seguidos por períodos de defervescência e apirexia de 4 a 14 dias. Os sintomas incluem febre alta (39-41°C), calafrios intensos, cefaleia, mialgias, artralgias, astenia, náuseas, vômitos e tosse. Sinais físicos comuns são hepatomegalia, esplenomegalia, icterícia, petéquias ou rash cutâneo. A recorrência dos episódios deve-se à variação antigênica das borrélias, permitindo escape imune. O diagnóstico é suspeitado com base na história de exposição a vetores e padrão febril característico.
Quadro clínico
O quadro clínico é caracterizado por episódios recorrentes de febre alta súbita, calafrios, cefaleia intensa, mialgias, artralgias, astenia, anorexia, náuseas, vômitos e tosse não produtiva. Sinais físicos incluem hepatomegalia (50-70% dos casos), esplenomegalia (30-50%), icterícia (10-40%), rash macular ou petequial, conjuntivite e, raramente, manifestações neurológicas como meningismo. Cada episódio febril dura 3-6 dias, seguido por defervescência com sudorese profusa e apirexia por 4-14 dias. Sem tratamento, podem ocorrer 2-10 recorrências, com gravidade decrescente. Complicações agudas incluem miocardite, ruptura esplênica, hemorragias e choque.
Complicações possíveis
Hepatite
Inflamação hepática com elevação de transaminases, icterícia e risco de insuficiência hepática.
Miocardite
Comprometimento cardíaco com arritmias, insuficiência cardíaca ou pericardite.
Hemorrhagias
Sangramentos cutâneos (petéquias, equimoses) ou internos devido a vasculite e trombocitopenia.
Ruptura esplênica
Complicação rara mas grave, associada a esplenomegalia significativa.
Choque séptico
Resposta inflamatória sistêmica exacerbada, com hipotensão e falência de múltiplos órgãos.
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Epidemiologia
A febre recorrente tem distribuição global, com variações regionais: a forma transmitida por piolhos (Borrelia recurrentis) ocorre em surtos associados a pobreza, superlotação e conflitos (e.g., África, Ásia), enquanto a transmitida por carrapatos (Borrelia spp.) é endêmica em áreas específicas das Américas, África e Europa. A incidência é baixa em países desenvolvidos, mas surtos podem ocorrer em viajantes ou populações vulneráveis. Dados da OMS indicam milhares de casos anuais, com subnotificação. Fatores de risco incluem exposição a vetores, falta de higiene e viagens para áreas endêmicas.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com tratamento antibiótico precoce, com resolução dos sintomas em 1-2 dias e baixa letalidade (<5%). Sem tratamento, a letalidade pode chegar a 30-70% em surtos de febre recorrente por piolhos, devido a complicações como miocardite ou hemorragias. Recorrências são comuns sem terapia adequada, mas a duração e gravidade diminuem com o tempo. Sequelas a longo prazo são raras, mas podem incluir astenia persistente ou déficits neurológicos em casos complicados.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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