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CID G35: Esclerose múltipla

G35
Esclerose múltipla

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Definição

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória crônica, desmielinizante e neurodegenerativa do sistema nervoso central (SNC), caracterizada por episódios recorrentes de disfunção neurológica devido à desmielinização focal e perda axonal. A fisiopatologia envolve mecanismos autoimunes mediados por linfócitos T e B, que atravessam a barreira hematoencefálica e desencadeiam inflamação, desmielinização e gliosis, resultando em placas disseminadas na substância branca e, em menor grau, na substância cinzenta. A doença apresenta heterogeneidade clínica e radiológica, com formas recorrente-remitente, secundariamente progressiva, primariamente progressiva e progressiva com surtos, impactando significativamente a qualidade de vida e a funcionalidade dos pacientes. Epidemiologicamente, é mais comum em adultos jovens (20-40 anos), com predomínio no sexo feminino (razão 2-3:1) e maior incidência em regiões de alta latitude, como Europa e América do Norte, embora a prevalência no Brasil esteja em ascensão, estimada em aproximadamente 15-30 casos por 100.000 habitantes.

Descrição clínica

A esclerose múltipla é uma condição neurológica crônica com curso variável, marcada por surtos agudos ou subagudos de déficits neurológicos focais, seguidos por períodos de remissão completa ou parcial. As manifestações clínicas são diversificadas e dependem da localização das lesões desmielinizantes, incluindo sintomas sensitivos (p.ex., parestesias, dor neuropática), motores (p.ex., fraqueza, espasticidade), visuais (p.ex., neurite óptica, diplopia), cerebelares (p.ex., ataxia, tremor), esfincterianos (p.ex., incontinência urinária) e cognitivos (p.ex., comprometimento da memória, velocidade de processamento). A progressão da doença pode levar a incapacidade acumulativa, com formas progressivas associadas a pior prognóstico funcional. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e de imagem, como os Critérios de McDonald, que integram achados clínicos, ressonância magnética, líquido cefalorraquidiano e potenciais evocados.

Quadro clínico

O quadro clínico da esclerose múltipla é altamente variável, com início insidioso ou agudo. Sintomas comuns incluem fadiga intensa, distúrbios visuais (como neurite óptica com perda visual monocular e dor à movimentação ocular), parestesias ou dormência em membros, fraqueza muscular, espasticidade, ataxia, disartria, vertigem, disfunção vesical (urgência, frequência ou retenção urinária), intestinal (constipação) e sexual. Comprometimento cognitivo, como déficits de memória, atenção e funções executivas, é frequente. Os surtos tipicamente evoluem ao longo de dias a semanas, com remissão em semanas a meses, mas formas progressivas mostram deterioração contínua sem surtos claros. A gravidade varia desde formas benignas com mínima incapacidade até formas severas com paraplegia ou demência.

Complicações possíveis

Incapacidade física progressiva

Acúmulo de déficits motores, sensitivos e cerebelares levando a dependência para atividades diárias, mobilidade reduzida e uso de cadeira de rodas.

Comprometimento cognitivo e demência

Déficits em memória, atenção, velocidade de processamento e funções executivas, impactando qualidade de vida e autonomia.

Depressão e ansiedade

Comorbidades psiquiátricas frequentes devido à cronicidade da doença, fadiga e impacto psicossocial.

Disfunção vesical e intestinal

Incontinência urinária, retenção, constipação e infecções do trato urinário de repetição.

Espasticidade e contraturas

Rigidez muscular dolorosa, espasmos e limitações articulares que exigem manejo farmacológico e fisioterápico.

Epidemiologia

A esclerose múltipla afeta aproximadamente 2,8 milhões de pessoas globalmente, com incidência variando geograficamente: maior em regiões temperadas (Europa, América do Norte) e menor em regiões tropicais. No Brasil, a prevalência estimada é de 15-30/100.000, com aumento nas últimas décadas devido a melhor diagnóstico. A idade média de início é 20-40 anos, com predomínio feminino (razão 2-3:1). Fatores de risco incluem história familiar, infecção por vírus Epstein-Barr, baixos níveis de vitamina D, tabagismo e obesidade na adolescência.

Prognóstico

O prognóstico da esclerose múltipla é variável e imprevisível, influenciado por fatores como forma clínica (formas progressivas têm pior prognóstico), idade de início, sexo, carga lesional na ressonância magnética e resposta ao tratamento. A forma recorrente-remitente pode evoluir para secundariamente progressiva em 10-20 anos em muitos pacientes, com acúmulo de incapacidade. Intervenções precoces com terapias modificadoras da doença podem retardar a progressão e reduzir a frequência de surtos. Expectativa de vida é reduzida em média 5-10 anos em comparação com a população geral, principalmente devido a complicações como infecções, suicídio e comorbidades.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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