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CID R73: Aumento da glicemia
R730
Teste de tolerância a glicose anormal
R739
Hiperglicemia não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A glicemia elevada, codificada como R73 na CID-10, refere-se a níveis anormalmente altos de glicose no sangue, não especificamente atribuídos a diabetes mellitus ou outras condições definidas. É um achado laboratorial que pode indicar distúrbios no metabolismo da glicose, como resistência à insulina, intolerância à glicose ou estágios iniciais de diabetes. A condição é frequentemente identificada em exames de rotina ou investigação de sintomas como poliúria e polidipsia, e sua presença está associada a um aumento do risco de complicações cardiovasculares e progressão para diabetes tipo 2. Epidemiologicamente, é comum em populações com fatores de risco como obesidade, sedentarismo e história familiar, sendo um marcador importante para intervenções preventivas em saúde pública.
Descrição clínica
A glicemia elevada é caracterizada por níveis de glicose no sangue acima dos valores de referência, tipicamente definidos como glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL ou glicemia casual ≥ 140 mg/dL, mas sem preencher critérios para diabetes. Clinicamente, pode ser assintomática ou manifestar-se com sintomas inespecíficos como fadiga, visão turva, poliúria e polidipsia. Em casos prolongados, pode evoluir para complicações microvasculares e macrovasculares. A avaliação inclui história clínica, exame físico e confirmação laboratorial, sendo essencial para diferenciar de outras causas de hiperglicemia.
Quadro clínico
O quadro clínico da glicemia elevada pode variar de assintomático a sintomático, dependendo da magnitude e duração. Sintomas comuns incluem poliúria (aumento da micção), polidipsia (sede excessiva), polifagia (fome aumentada), fadiga, perda de peso inexplicada e visão turva. Em casos graves, pode progredir para cetose ou estado hiperglicêmico hiperosmolar, com desidratação e alterações do estado mental. O exame físico pode revelar sinais de desidratação, acantose nigricans (associada à resistência à insulina) ou obesidade central. A apresentação é frequentemente insidiosa, destacando a importância do rastreamento em indivíduos de risco.
Complicações possíveis
Progressão para diabetes mellitus tipo 2
Risco aumentado de evolução para diabetes estabelecido, com necessidade de tratamento farmacológico.
Doenças cardiovasculares
Aumento do risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica devido à aterosclerose acelerada.
Neuropatia periférica
Danos aos nervos periféricos, resultando em parestesias, dor ou perda de sensibilidade.
Retinopatia
Lesões microvasculares na retina, podendo levar à perda visual se não tratada.
Nefropatia
Comprometimento renal com microalbuminúria e redução da taxa de filtração glomerular.
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A glicemia elevada é uma condição prevalente globalmente, afetando aproximadamente 25-30% da população adulta, com variações regionais. No Brasil, estima-se que 15-20% dos adultos apresentem glicemia de jejum alterada ou intolerância à glicose. Fatores de risco incluem idade avançada, obesidade (prevalência maior em indivíduos com IMC ≥30), sedentarismo, história familiar de diabetes e etnia (maior risco em afrodescendentes e hispânicos). A incidência tem aumentado devido às mudanças no estilo de vida, destacando a importância de estratégias de saúde pública para rastreamento e prevenção.
Prognóstico
O prognóstico da glicemia elevada é variável e depende de intervenções precoces. Sem tratamento, há alto risco de progressão para diabetes mellitus tipo 2 (taxa anual de 5-10%) e desenvolvimento de complicações cardiovasculares. Com modificações no estilo de vida e controle de fatores de risco, é possível reverter para níveis normais de glicemia em muitos casos, reduzindo significativamente a morbimortalidade. O acompanhamento regular é essencial para monitorar a evolução e prevenir desfechos adversos.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos para glicemia elevada baseiam-se em valores laboratoriais, conforme diretrizes da American Diabetes Association (ADA) e OMS. Incluem: glicemia de jejum entre 100-125 mg/dL (indicando glicemia de jejum alterada), teste de tolerância à glicose oral com glicemia de 2 horas entre 140-199 mg/dL (intolerância à glicose), ou hemoglobina glicada (HbA1c) entre 5,7%-6,4%. O diagnóstico requer confirmação com repetição dos exames em dias diferentes, na ausência de sintomas agudos. A avaliação deve excluir diabetes mellitus (glicemia de jejum ≥126 mg/dL, HbA1c ≥6,5%, ou glicemia casual ≥200 mg/dL com sintomas).
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Diabetes mellitus tipo 2
Condição crônica com hiperglicemia persistente, definida por critérios específicos de glicemia ou HbA1c, frequentemente associada a complicações micro e macrovasculares.
American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes - 2023.
Diabetes mellitus tipo 1
Doença autoimune com deficiência absoluta de insulina, geralmente de início agudo em jovens, com cetose frequente.
OMS. Classification of Diabetes Mellitus, 2019.
Síndrome metabólica
Conjunto de fatores de risco, incluindo obesidade abdominal, dislipidemia e hipertensão, que pode cursar com glicemia elevada.
International Diabetes Federation. Consensus Worldwide Definition of the Metabolic Syndrome, 2006.
Hiperglicemia induzida por medicamentos
Elevação da glicemia devido ao uso de fármacos como corticosteroides, antipsicóticos atípicos ou diuréticos tiazídicos.
Micromedex. Drug-Induced Hyperglycemia, 2022.
Doenças endócrinas (ex.: síndrome de Cushing)
Condições com excesso de hormônios contrarreguladores (ex.: cortisol) que antagonizam a ação da insulina, levando à hiperglicemia.
UpToDate. Causes of Hyperglycemia, 2023.
Exames recomendados
Glicemia de jejum
Medição da glicose plasmática após jejum de 8-12 horas.
Avaliar a homeostase da glicose e rastrear alterações metabólicas.
Teste de tolerância à glicose oral (TTGO)
Administração de 75g de glicose oral e medição da glicemia em jejum e 2 horas pós-carga.
Detectar intolerância à glicose e estágios pré-diabéticos.
Hemoglobina glicada (HbA1c)
Medição da glicação da hemoglobina, refletindo a glicemia média dos últimos 2-3 meses.
Avaliar o controle glicêmico a longo prazo e risco de diabetes.
Perfil lipídico
Dosagem de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos.
Identificar dislipidemia associada à síndrome metabólica.
Insulina e peptídeo C
Dosagem dos níveis séricos para avaliar a função das células beta e resistência à insulina.
Diferenciar entre resistência à insulina e deficiência na secreção.
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Realização de exames de glicemia em adultos assintomáticos com fatores de risco, conforme recomendações de sociedades médicas.
Promoção de estilo de vida saudável
Incentivo à alimentação equilibrada, atividade física e abstinência de tabagismo para reduzir incidência.
Educação comunitária
Programas de conscientização sobre os riscos da obesidade e sedentarismo para a saúde metabólica.
Vigilância e notificação
A glicemia elevada não é uma condição de notificação compulsória no Brasil, mas é alvo de vigilância em programas de saúde como o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL). Recomenda-se o rastreamento periódico em grupos de risco (ex.: adultos com sobrepeso, hipertensão ou história familiar de diabetes) por meio de exames de glicemia. A notificação de casos de diabetes é obrigatória em alguns contextos, e a glicemia elevada deve ser monitorada para intervenções precoces, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.
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Não necessariamente; com intervenções no estilo de vida e tratamento adequado, é possível reverter a glicemia elevada e prevenir a progressão para diabetes em muitos casos.
Segundo a ADA, glicemia de jejum entre 100-125 mg/dL define glicemia de jejum alterada, enquanto valores ≥126 mg/dL indicam diabetes.
Não; o manejo inicial prioriza modificações no estilo de vida (dieta e exercícios), e medicamentos como metformina são reservados para casos de alto risco ou sem resposta às medidas não farmacológicas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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