Anúncio

Eletroconvulsoterapia: o que é, para que serve e como usar? | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A eletroconvulsoterapia (ECT) é um
procedimento que utiliza uma corrente elétrica a fim de produzir uma convulsão
generalizada. A ECT é feita sob anestesia geral e tem uso em diversas condições
psiquiátricas.

Em que pese ter sua eficácia atestada
por diversos estudos, o procedimento ainda é alvo de grandes controvérsias, e a
estigmatização é um dos obstáculos para sua utilização. Atualmente, estima-se
que apenas 0,25% dos pacientes com depressão unipolar ou bipolar fazem uso de
ECT. Neste viés, grande parte do estigma pode ser atribuído à falta de
informação por parte dos profissionais e do público em geral, que ainda têm
concepções inadequadas sobre o tema.

Aspectos
Neurobiológicos

Muito ainda é desconhecido sobre a
ECT e seus mecanismos ainda não foram completamente elucidados. No entanto, há
alguns pontos sobre seu papel neurobiológico que já foram esclarecidos.

Sabe-se que a ECT aumenta a liberação
de monoaminas, notadamente dopamina, serotonina e noradrenalina além de
potencializar seus efeitos por dessensibilização pré-sináptica de
autorreceptores. Acredita-se que seu papel no tratamento da depressão envolve a
liberação de hormônios hipotalâmicos e/ou hipofisários. Esse mesmo mecanismo
neuroendócrino é proposto como explicação para os efeitos anticonvulsivantes da
ECT, combinado com um aumento na transmissão GABAérgica.

Sabe-se, ainda, por estudos de PET
Scan que a ECT reduz a atividade metabólica nos córtices frontal e cingulado e
aumenta a atividade das ondas lentas (delta) no córtex pré-frontal, o que se associa com a
efetividade da resposta do paciente.

Avaliação
para a Eletroconvulsoterapia

Deve-se avaliar clinicamente todo
paciente antes de submetê-lo à ECT. História clínica detalhada, exame físico e
um eletrocardiograma são indispensáveis. Deve-se buscar identificar fatores de
risco, como doença coronariana, disfunção valvar, insuficiência cardíaca,
diabetes melitus, hipertensão, hipercolesterolemia e idade avançada. Quando identificadas,
essas condições devem ser manejadas antes do início da ECT.

Indicações

A indicação primária da ECT é para o
tratamento de depressão maior refratária à farmacoterapia, especialmente na
presença de sintomas psicóticos, catatonia, ideação suicida persistente e
outras condições que exigem uma resposta antidepressiva rápida. Indica-se,
também, para os pacientes com depressão maior que, por algum motivo, não possam
fazer uso de antidepressivos.

Há evidências, também, que corroboram
o uso da ECT para depressão bipolar e mania.

Frequência
e Quantidade de Sessões

Não há um número padronizado de
sessões para a ECT, tampouco se pode prever quantas serão necessárias para cada
paciente. No entanto, dados estatísticos apontam que a maioria dos pacientes
respondem com 6 a 12 sessões, mas o número pode ser tão baixo quanto 3 sessões
e, ainda, ultrapassar 20 sessões. Ainda não se sabe o que determina a
quantidade de sessões necessárias, mas um componente genético parece estar
envolvido com a qualidade da resposta do paciente ao tratamento com ECT.

Desse modo, as sessões de ECT devem
perdurar até que o paciente remita da condição para a qual está sendo tratado,
desde que os efeitos colaterais não impeçam a continuidade do tratamento. Uma
vez que o paciente remita, com frequência é necessário dar continuidade com um
tratamento de manutenção.

A frequência das sessões também é um
território impreciso, mas a prática mais usual parece ser de administrar duas
ou três sessões por semana e uma meta-análise recente demonstrou equivalência
terapêutica para os dois esquemas. No entanto, alguns estudos parecem
indicar que o uso da ECT três vezes por semana causa um comprometimento
cognitivo mais importante do que a frequência de duas sessões semanais.

Tratamento
de Manutenção

A prática clínica recomenda que, após
atingir a remissão, se dê início a um tratamento de continuação. Deve-se
iniciar o tratamento de manutenção com sessões semanais e gradualmente aumentar
esse intervalo até o período máximo que permita o paciente permanecer
eutímico. 

Consensos de especialistas sugerem
manter as sessões semanais por até três semanas, evoluindo para uma sessão a
cada 15 dias por um mês e, então, uma sessão mensal por dois meses,
eventualmente chegando a uma sessão a cada dois ou três meses. 

De todo modo, deve-se lembrar que não
há uma fórmula única, e os sintomas do paciente devem ser monitorados com
frequência para permitir o ajuste do intervalo entre sessões.

Efeitos
Adversos

A ECT figura entre um dos
procedimentos mais seguros dentre aqueles realizados sob anestesia geral, mas
alguns efeitos colaterais podem ocorrer. Por ser um procedimento realizado sob
anestesia geral, apresenta o mesmo risco de mortalidade que outros
procedimentos simple realizados sob indução anestésica (cerca de 2 mortes por
100.000 tratamentos).

Dentre os efeitos colaterais,
destacam-se os cognitivos, que parecem ser mais evidentes em
pacientes com reservas cognitivas menores. Os efeitos cognitivos podem se
manifestar como perda de memória (amnésia retrógrada ou anterógrada) e estados
confusionais agudos (que podem resultar da própria ECT ou da anestesia).

A perda de memória é mais acentuada
em pacientes que recebem ECT bilateral e normalmente se resolve
espontaneamente, sendo que a amnésia retrógrada costuma levar mais tempo para
se resolver que a anterógrada.

Os estados confusionais costumam se
resolver em 10 a 30 minutos após o procedimento e, se desencadearem episódios
de agitação, pode ser manejada com midazolam intravenoso em dose única de 1 a 3
mg.

Outros efeitos adversos incluem um risco aumentado para pneumonia por aspiração, fraturas (especialmente em pacientes osteoporóticos), lesões de dente e/ou língua, cefaleia e náuseas.

Autor: Vinícius Lavorato, Estudante de Medicina

Instagram: @vinilavorato

Compartilhe este artigo:

Cursos gratuitos para estudantes de medicina

Anúncio