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Genoma do coronavírus: o compartilhamento aberto de dados é vital | Colunistas

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Genoma do novo coronavírus e o peso do compartilhamento aberto dos seus dados.

Mais do que uma simples sequência de substâncias, o genoma se mostra como uma verdadeira chave na luta pelo entendimento de um determinado componente. O universo microscópico continua sendo misterioso à ciência e guarda, seja por meio do RNA ou DNA, milhões de anos de evolução e as peculiaridades de determinado caráter. No caso de uma enfermidade, tal código pode representar o  controle do agente patogênico, haja vista o histórico positivo no trato de doenças, a exemplo da erradicação da poliomielite tipo 3 no mundo¹.

Nesse sentido, cientistas e órgãos de saúde, por meio de plataformas como Gisaid, reúnem forças para atualizações sobre SARS-CoV-2 e seu genoma em tempo real, o que representa a construção constante do melhor manejo no combate do novo coronavírus, responsável pela morte de mais de 270 mil brasileiros². Graças a tal compartilhamento livre,  testes diagnósticos mais eficazes, vacinas que abrangem mais cepas e potenciais tratamentos têm seu desenvolvimento otimizado, o que  assegura mais rapidez na garantia de vida dos indivíduos.   

                            Representação com visão interna do novo coronavírus.  
Fonte: Google imagens.

Ainda há barreiras

         Apesar do evidente protagonismo do compartilhamento aberto de dados genômicos na resposta contra o novo coronavírus, inúmeros são os entraves ainda encontrados pela ciência.

O difícil acesso aos dados oficiais da China³, país onde encontra-se o marco zero da SARS-CoV-2, está entre as maiores dificuldades que bloqueiam a ampla divulgação informativa e o consequente estudo das cargas genômicas. Sem tais dados primários, um vácuo complexifica o entendimento do elo entre as mutações ocorridas dentro do genoma do coronavírus que acarretaram  o surgimento do tipo enfrentado atualmente e as mutações posteriores que já estão em circulação.

Dessa forma, a atividade médico-científica é lesada gravemente, de modo a desacelerar o progresso da articulação mundial para o fim da pandemia e a organização de profilaxias contra futuras mutações. 

                Profissionais da saúde trabalhando na linha de frente.
Fonte: Google imagens.

O papel da ciência brasileira 

         Embora o Brasil possua déficits históricos no desenvolvimento médico-científico, como a carência crônica de estímulo à corrida científica4, somente em 48 horas depois da confirmação oficial do primeiro caso da nova variante do coronavírus em território brasileiro, cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade de Oxford do Reino Unido, sequenciaram o genoma do novo coronavírus5, o que certamente favoreceu o trabalho de elaboração de uma resposta antiviral por meio de vacinas.

Além disso, a Rede Genômica Fiocruz, em consonância ao Ministério da Saúde, fará o sequenciamento de amostras brasileiras de SARS-CoV-26, exibindo, assim, o empenho da ciência nacional e seu papel de destaque no estudo aberto do genoma viral em questão.

                   Mulher recuperada de SARS-CoV-2 se despede de corpo médico.
Fonte: Google imagens.

Conclusão

         O conhecimento é  formado pela cooperação ininterrupta e pela democratização informativa, de modo a alavancar a instauração de um âmbito melhor para a vida e a dignidade humana. Diante do atual quadro caótico, no qual a noção acerca do comportamento do agente patogênico viral ainda se mostra deficitária e seus resultados negativos persistem apesar dos esforços mundiais, tal corrente de pensamento ganha proporções maiores. Ficando claro, portanto, não só a pertinência da partilha aberta dos elementos e atualizações contínuas  sobre o genoma do novo coronavírus, como também o grave cenário sustentado pelo contingenciamento deste conteúdo[IC1] .

Exemplos, como a plataforma Gisaid e os esforços da Fiocruz e do Ministério da Saúde, são indispensáveis e demonstram um verdadeiro norte para a performance médico-científica de qualidade. 

Infere-se, também, a necessidade do estímulo ao debate ao redor do compartilhamento aberto de dados genômicos do novo coronavírus para que seu caráter vital alcance a óptica da população, e a mobilização da opinião pública incentive a atenuação dos empecilhos existentes. Com isso, vê-se não somente a efetivação da promoção da vida e um contragolpe energético contra a SARS-Cov-2, como também uma realidade livre na qual a divulgação plena impõe maior equidade científica entre as nações.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

1.Comissão declara que poliomielite tipo 3 foi erradicada do mundo – 

Comissão declara que poliomielite tipo 3 foi erradicada do mundo | Agência Brasil (ebc.com.br). 2021

2. Painel coronavírus – Coronavírus Brasil (saude.gov.br)  acesso:11/03/2021

3. China se recusou a fornecer dados brutos sobre os primeiros casos da Covid-19 – 

https://oglobo.globo.com/mundo/china-se-recusou-fornecer-dados-brutos-sobre-os-primeiros-casos-da-covid-19-em-wuhan-diz-membro-da-equipe-da-oms-24882284

4. Por que é fundamental conhecer a genética do novo coronavírus – 

https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/por-que-e-fundamental-conhecer-a-genetica-do-novo-coronavirus/

5. Em 48 horas, brasileiros sequenciam genoma do coronavírus – 

https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/genoma-coronavirus/

6. Rede Genômica Fiocruz vai sequenciar amostras do Covid-19 no Brasil – 

https://portal.fiocruz.br/noticia/rede-genomica-fiocruz-vai-sequenciar-amostras-do-covid-19-no-brasil

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