A laserterapia na ginecologia emergiu como uma abordagem inovadora e eficaz para tratar uma série de condições que afetam a saúde íntima das mulheres.
Ao empregar feixes de luz altamente concentrados, essa técnica oferece uma alternativa segura e precisa para diversos procedimentos, proporcionando benefícios significativos para as pacientes.
Quais os tipos de laser disponíveis na ginecologia?
Existem diferentes tipos de lasers empregados na prática ginecológica, cada um com características e aplicações específicas:
Laser de CO2
Comumente utilizado para tratar condições como atrofia vaginal, distúrbios de pigmentação e cicatrizes.
Dessa forma, ele funciona removendo camadas superficiais da mucosa vaginal, estimulando a produção de colágeno e promovendo a regeneração dos tecidos.
Laser Er:YAG
Ideal para procedimentos que requerem uma ablação mais superficial dos tecidos, como o tratamento da incontinência urinária de esforço. Assim, ele vaporiza pequenas áreas do tecido vaginal, fortalecendo a musculatura e melhorando o suporte uretral.
Laser Nd:YAG
Frequentemente utilizado para tratar lesões vasculares, como varizes vulvares, bem como para procedimentos de rejuvenescimento vaginal.
Ele atua aquecendo os tecidos, bem como estimulando a circulação sanguínea e promovendo a regeneração celular.
Como funciona a laserterapia?
A laserterapia ginecológica consiste em um método não invasivo que emprega a tecnologia a laser para tratar uma variedade de condições específicas relacionadas à saúde da mulher. Este procedimento utiliza uma fonte de luz altamente concentrada, o laser, direcionado com precisão para áreas específicas do corpo. Esse tratamento é capaz de:
- Estimular a produção de colágeno
- Melhorar a circulação sanguínea local
- Inibir lesões pré-cancerígenas.
Assim, as sessões de laserterapia geralmente ocorrem em consultórios médicos ou em clínicas especializadas em ginecologia, dispensando a necessidade de internação hospitalar. A duração típica de uma sessão varia entre 20 e 40 minutos, dependendo do tipo de tratamento necessário e dos objetivos de tratamento de cada paciente. Normalmente, o procedimento não causa dor significativa, não necessitando de anestesia. No entanto, em certos casos, recomenda-se o uso de anestesia local para garantir o conforto da paciente.
Após a aplicação da laserterapia íntima, a paciente poderá experimentar um leve desconforto na área tratada. No entanto, esse desconforto é temporário e geralmente desaparece rapidamente.
Quando indicar laserterapia para uma paciente?
A laserterapia na ginecologia pode ser indicada para uma variedade de condições, incluindo:
- Atrofia vaginal
- Incontinência urinária
- Lesões pré-cancerosas
- Rejuvenescimento vaginal
Atrofia vaginal
A atrofia vaginal consiste em uma condição comum que afeta muitas mulheres, especialmente durante a menopausa, quando os níveis de estrogênio diminuem. Isso pode resultar em sintomas desconfortáveis, como:
- Ressecamento vaginal
- Coceira
- Dor durante o sexo
- Aumento do risco de infecções do trato urinário.
A laserterapia para atrofia vaginal utiliza feixes de luz altamente concentrados para estimular a produção de colágeno e promover a regeneração dos tecidos vaginais. Assim, durante o procedimento, direciona-se o laser direcionado para a mucosa vaginal, aquecendo suavemente os tecidos e estimulando a produção de novas células. Isso ajuda a restaurar a elasticidade e a lubrificação natural da vagina, aliviando os sintomas da atrofia vaginal.
Incontinência urinária
Caracteriza-se pela perda involuntária de urina, podendo ocorrer durante atividades cotidianas, como tossir, espirrar, rir ou exercitar-se. Assim, essa condição pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo fraqueza dos músculos do assoalho pélvico, alterações hormonais, obesidade, histórico de partos vaginais ou condições médicas subjacentes.
Assim, a laserterapia para incontinência urinária utiliza feixes de luz altamente concentrados para fortalecer os tecidos ao redor da uretra e melhorar o suporte da bexiga.
Lesões pré-cancerosas
As lesões pré-cancerosas são alterações nos tecidos do corpo que têm o potencial de se desenvolver em câncer se não forem tratadas adequadamente. Dessa forma, as lesões pré-cancerosas podem ocorrer no colo do útero, na vulva ou em outras áreas do trato genital feminino. Essas lesões são frequentemente causadas por infecções por HPV (papilomavírus humano) e podem ser identificadas por meio de exames de triagem, como o teste de papanicolaou.
Portanto, na abordagem terapêutica de lesões vulvares, é fundamental observar os diferentes planos epiteliais. Para lesões subclínicas, necessita-se vaporizar o tecido, atingindo toda a espessura do epitélio (1º plano). Além disso, em lesões condilomatosas, o objetivo é alcançar tanto o epitélio quanto a derme papilar (2º plano). No entanto, para neoplasias intra-epiteliais vulvares, necessita-se atingir o epitélio, a derme papilar e a porção superior da derme reticular (3º plano).
A identificação dos diferentes planos durante o procedimento é essencial para evitar complicações.
- O fundo da ferida, ao atingir o 1º plano, apresenta uma superfície rósea e brilhante
- No 2º plano, assemelha-se à camurça com coloração amarelada
- No 3º plano, exibe uma tonalidade branca acinzentada.
Assim, não se deve ultrapassar esses limites, uma vez que a sobrepassagem pode resultar em complicações como queimaduras, hipocromias, alopecias e retrações.
Cistos de Bartholin
Os cistos de Bartholin são comuns e podem causar considerável desconforto durante a fase aguda de inflamação, ou, quando crônicos, podem passar despercebidos, mas frequentemente resultam em dispareunia para as mulheres.
O laser de CO2 poderá ser utilizado para a sua remoção.
Benefícios da laserterapia
A laserterapia na ginecologia oferece uma série de benefícios para as pacientes. Dentre os principais estão:
- Procedimentos minimamente invasivos
- Recuperação rápida: tempo de recuperação são geralmente mais curtos em comparação com cirurgias tradicionais, permitindo que as pacientes voltem às suas atividades normais mais rapidamente
- Precisão e eficácia: Os lasers permitem um tratamento preciso e controlado, minimizando o dano aos tecidos circundantes e maximizando os resultados terapêuticos.
Quanto tempo dura o efeito do laser íntimo?
O impacto do tratamento varia de acordo com a condição para a qual foi empregado. Na vaporização (destruição) de lesões, tem-se um efeito permanente.
Por outro lado, no tratamento da incontinência urinária e da atrofia genital, o efeito do laser íntimo tem duração de até 24 meses. Recomenda-se uma sessão de manutenção a cada 12 meses para preservar os resultados obtidos com o tratamento.
Veja também:
Referência bibliográfica
- Li FG, Maheux-Lacroix S, Deans R, et al. Effect of Fractional Carbon Dioxide Laser vs Sham Treatment on Symptom Severity in Women With Postmenopausal Vaginal Symptoms: A Randomized Clinical Trial. JAMA. 2021;326(14):1381–1389. doi: 10.1001/jama.2021.14892.
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