Provavelmente,
essa é a pergunta que não quer calar entre os médicos recém egressos. O mercado
de trabalho, a responsabilidade pelas suas decisões e, muitas vezes, a sensação
de incapacidade são fatores que pesam na balança, fazendo o médico ter medo
daquele momento no qual ele sonhou chegar. Portanto, o fim da graduação é um
período de escolhas que vão impactar tanto o fazer médico profissional, quanto a
qualidade de vida.
Desafio dos plantões
Ao sair da
faculdade, médicos recém egressos contam com um vasto mercado de trabalho. Uma
das opções são os plantões em UPAS e hospitais, locais com ampla demanda e rotação
de situações desafiadoras para esses profissionais, pois colocam em xeque a
teorização frente à prática, além de possível sensação de incapacidade ou
despreparo frente a situações complexas.
O primeiro
ponto a ter em mente é que não iremos nos lembrar de tudo que aprendemos
durante a faculdade. Não podemos e nem devemos nos obrigar a isso, pois pensar
dessa forma incitaria em nós uma insegurança muitas vezes evitável e
desnecessária. A formação médica não tem fim com o término da faculdade, pelo
contrário, é nesse momento que uma nova fase de aprendizado se inicia.
O segundo
ponto que pode ser levantado é a importância de estar em contato com médicos
mais experientes, que podem direcionar e ajudar recém egressos nos seus
primeiros plantões. Estudos mostram que, para médicos recém-formados, o
trabalho como profissional liberal encontra maior dificuldade justamente devido
à falta de experiência¹. Para facilitar esse entrave, pesquisas apontam que
alguns facilitadores podem ser elencados, sendo estes a presença de familiares médicos,
rede de contatos e o tipo de especialidade ou trabalho escolhido1.
Em terceiro
lugar, deve-se considerar a multiplicidade de plantões que médicos em início de
profissão tendem a adquirir. A multiplicidade de empregos tem se mostrado um
problema, visto que essa prática promove uma precarização da qualidade de vida
dos médicos, podendo impactar diretamente no sistema de saúde no qual estes
estão inseridos2. Esse é um ponto que o médico recém-formado deve preconizar,
buscando executar jornadas de trabalho dentro das suas limitações. Corroborando
o fato antes exposto, estudo feito em Salvador – BA demonstrou que existe uma
associação entre a alta demanda dos plantões com distúrbios psíquicos menores
(DPM).3
Residência médica
Outro caminho
que recém-formados podem trilhar é a residência médica. Esta é um tipo de pós-graduação
destinada a esses profissionais, que concede, ao fim, o título de especialista.
A escolha da área de atuação é de suma importância e deve ser ponderada
considerando diversos aspectos, como a personalidade e experiências vivenciadas
na área durante a graduação, além da qualidade de vida, remuneração e duração
da formação4.
A
personalidade é um importante fator no momento da escolha da residência. Por
isso, é importante fazer uma autoavaliação, pois esta irá definir seu trabalho
ao longo da vida. A importância que se dá ao estilo de vida e ao tempo gasto
com si próprio é um dado que deve ser colocado na balança, considerando que algumas
especialidades possuem uma exigência maior quanto ao número de plantões, falta
de horários fixos para estes, além de pouco tempo para si próprio. Estudo feito
nos Estados Unidos mostrou que, entre 1997 e 2001, o percentual de estudantes
de medicina que entendem que cirurgiões gerais possuem controle inadequado
sobre o próprio tempo aumentou de 67% para 92%5, promovendo uma
menor procura para essa especialidade.
Além desses fatores, é importante que durante a graduação já haja uma organização para prestar a prova de residência. Estudo feito em Salvador-BA, em 2010, mostrou que a questão financeira e o desejo de fazer residência em outro local foram os mais prevalentes entre os recém formados6, exigindo, portanto, que estes profissionais recorram aos plantões para conseguir um bom aporte financeiro.
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