O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição comum, que leva a prejuízos do funcionamento normal desses órgãos e redução da qualidade de vida das mulheres. Muitas mulheres apresentam sintomas que afetam as atividades diárias, a função sexual e o exercício, podendo exercer impacto negativo na imagem corporal e sexualidade.
Para compreender melhor essa condição clínica, vamos revisar alguns pontos importantes da anatomia pélvica feminina.
A pelve feminina garante apoio aos órgãos pélvicos através da interação dos músculos do assoalho pélvico com os anexos do tecido conjuntivo e a pelve óssea.

Imagem: Órgãos pélvicos femininos. Fonte: Williams, 2014.
Os músculos levantadores do ânus são um par de músculos estriados, compostos pelas porções pubococcígea, puborretal e iliococcígea, e fornecem uma base firme de sustentação onde repousam os órgãos.
A porção iliococcígea forma um arco entre as duas paredes laterais da pelve; a pubococcígea emerge no osso púbico de ambos os lados, se inserindo no cóccix (importante para a suspensão da parede vaginal); já a puborretal forma uma alça com origem no púbis. A atividade dos músculos levantadores do ânus eleva o assoalho pélvico e comprime a vagina, uretra e reto, de encontro ao osso púbico.
Os ligamentos uterossacrais contribuem para o suporte apical, suspendendo e estabilizando o útero, o colo uterino e a parte superior da vagina. Além disso, estabilizam os órgãos pélvicos na posição correta, para que os músculos pélvicos façam um suporte adequado.

Imagem: Assoalho pélvico (vista inferior). Fonte: Adaptado de UptoDate, 2020.
Prolapso de Órgãos Pélvicos: a formação da vagina
A vagina é formada por um tubo fibromuscular, achatado e cilíndrico, que apresenta três níveis de sustentação, todos conectados por uma rede contínua de suporte da fáscia endopélvica.
Nível 1
Constituído pelo complexo ligamento uterossacral/ cardinal, que suspende o útero e a vagina superiormente ao sacro e à parede lateral pélvica. A deficiência desse nível contribui para o prolapso do útero e/ou do ápice vaginal.
Nível 2
Constitui-se por ligações paravaginais ao longo do comprimento da vagina até a fáscia superior do músculo levantador do ânus e a fáscia tendínea do arco pélvico; a perda desse suporte contribui para o prolapso da parede vaginal anterior e lateral.
Nível 3
Compreende o corpo perineal, a membrana perineal e músculos perineais superficiais e profundos, que sustentam o terço distal da vagina e o introito vaginal. A perda desse suporte anteriormente pode resultar em prolapso da parede anterior e posterior, alargamento do introito e deiscência perineal.

Imagem: Níveis de suporte vaginal. Fonte: UptoDate, 2020.
A inervação da região pélvica é constituída pelos segmentos S2, S3 e S4 da medula espinhal. Estes formam o nervo pudendo, que inerva o esfíncter anal externo. Os músculos elevadores, coccígeos e diafragma urogenital provavelmente são inervados por uma conexão direta das fibras nervosas de S2, S3 e S4.
Epidemiologia e fisiopatologia do Prolapso de Órgãos Pélvicos
O prolapso de órgãos pélvicos afeta milhões de mulheres, porém a prevalência exata é difícil de determinar, por diferença quanto a definição e por muitas mulheres apresentarem o POP, mas serem assintomáticas, o que varia a procura por atendimento médico.
Nos EUA, a prevalência de mulheres com prolapso sintomático é em torno de 2,9 a 5,7% da população, ou seja, considerando as mulheres nas quais essa condição é assintomática, a prevalência torna-se bem maior. Apesar disso, a prevalência de POP aumenta conforme o avanço da idade.
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